11.29.2008

Pedreiro-atleta treina jovens para corrida de rua em Paraisópolis

Rafael Krieger
Em São Paulo

Uma corrida rústica realizada nas ruas da comunidade de Paraisópolis era o sonho do pedreiro Juracy Almeida, de 30 anos. E a emoção por ter que ficar de fora deste momento tão esperado não pôde ser contida. Com lágrimas nos olhos, o atleta amador indica o nervo estirado na perna que o impede de competir no domingo. Mas a sua satisfação estará representada pelos seus pupilos, que aproveitaram a oportunidade da prova para começar a treinar com ele.

IMG Rafael KriegerJuracy já participou quatro vezes da Corrida de São Silvestre, sendo que a última foi em 2001. Desde então, ele deixou de competir por falta de apoio. A prova em Paraisópolis seria o seu retorno ao atletismo. Mas, enquanto ajudava o pai em uma construção, sentiu a lesão.

"Só de pensar que não vou poder participar dessa prova no domingo, dentro da minha própria comunidade... Mas pelo menos tem os cinco meninos que estão treinando comigo. Montei essa equipe exclusiva para a prova, não pra ganhar, mas pra participar mesmo, prestigiar a comunidade nesse momento histórico", comenta.

Mas as despesas que envolvem a participação em uma corrida acabaram afastando Juracy do atletismo. "A São Silvestre, por exemplo, vale a pena por ser uma festa nacional. A gente conhece novos atletas, pega experiência, identifica os seus problemas e até cria solução. Agora, pega pesado no bolso. Tem a inscrição, que é cara, além de tênis, bermuda, camiseta, enfim, parece que não, mas o custo é muito alto e dificulta para entrar no esporte", avalia.

Por isso, Juracy exalta a importância da corrida no quintal de sua casa. "Aqui é um quilo de alimento. Além de participar, você ainda ajuda a alimentar alguém. Isso deveria ser popularizado em todo o país: corridas beneficentes com inscrição barata", diz o atleta, que já sentiu o peso da idade e mudou de foco.

"Para mim, voltar a correr vai ser mais difícil. Então, vou voltar ajudando. O meu maior objetivo agora e identificar novos atletas. Por exemplo: O Vanderlei [Cordeiro de Lima] agora está saindo. A gente vai perder grandes atletas, e precisamos criar novos para substituí-los", explica Juracy.

Em meio à mobilização causada pela prova, Juracy conheceu um parceiro por acaso no bairro. Enquanto Josivaldo da Silva caminhava pelas ruas de Paraisópolis para reconhecer o trajeto da corrida, foi imediatamente abordado por Juracy, que reparou no calção e na regata que se tratava de um vizinho atleta.

Vigilante de 40 anos, Josivaldo pratica corrida há quatro anos e já participou de três edições da São Silvestre, com inscrição feita para a próxima. "Senti a necessidade de começar a praticar por causa do trabalho. O corpo pediu", explica. Desde então, corre de 90 a 100 quilômetros por semana.

Josivaldo e Juracy logo marcaram um treino. No sábado, vão treinar juntos: "Não precisa forçar", disse Josivaldo ao novo amigo, sabendo de sua lesão. No domingo, Juracy já poderá ter um substituto para guiar seus garotos durante a corrida.
Fonte: UOL Esporte

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